terça-feira, abril 26, 2005

Till Death Do Us Part

De todos os infortúnios da vida, creio que o maior de todos que passamos é a morte de alguém querido. Não tenho medo da minha própria morte, tenho mais medo de que meus amigos que tanto amo e as pessoas queridas, por quem tenho um carinho especial, me deixem.

O pior de tudo é ter que se conformar com uma coisa que não se pode fazer NADA para evitar, desfazer, melhorar, lutar contra. O sentimento de impotência face à única certeza que temos nessa vida é algo que nos deprime de tal forma que é impossível explicar.

Já estive lá algumas vezes. Já vi conhecidos morrerem. Amigos, amigos de amigos, pais e familiares de amigos. O sentimento é o mesmo até quando alguém que você odeia morre (por isso não existe nada dito mais da boca pra fora do que quando desejamos a morte de alguém). É nessas horas que os amigos precisam de nós mais do que nunca, que as pessoas mais precisam de alguém pra consolá-las. E mais uma vez o sentimento de fraqueza: não há nada que se possa fazer além de oferecer o ombro amigo.

Algumas pessoas têm medo de sua própria morte, maioria das pessoas enfrenta esse medo como o único que tem. Eu repito o que disse: não há nada que me dê mais medo do que pensar na morte das pessoas queridas, dos amigos. Pessoas tão importantes na sua vida que se vão sem algum motivo lógico ou aparente.

Esses dias, conversando com um amigo que enfrentou essa situação, as lágrimas brilharam nos meus olhos, enquanto eu pensava "por que os bons se vão? Por que logo os bons?". Não sei responder, não sei explicar. Mas cada um tem sua hora e só Deus sabe quando será nossa vez de atender ao chamado Dele.

Ao escrever esse post, mais uma vez as lágrimas vêm me encher os olhos. Por quê? Não sei... sou apenas um simples mortal filosofando sobre coisas da vida. Mas ainda assim, um mortal com sentimentos. Confusos, complicados, mas ainda sentimentos, muitas vezes sensível a coisas que nem eu mesmo acreditaria.

Não sei como será quando um amigo próximo, um grande amigo que amo e considero, uma pessoa da família a quem sou muito próximo, resolver deixar esse mundo. Também não sei como será quando chegar a minha vez. Mas uma coisa digo aos que ficarem: se chorarem por mim, chorem sorrindo. Lembrando dos bons momentos, das boas risadas, dos beijos e abraços, dos momentos juntos. Saibam que vou contra minha vontade, pois se pudesse, queria viver e poder ficar com meus amigos, que todos vivêssemos eternamente. Mas infelizmente não podemos.

Não chorem porque a vida acabou. Chorem, sim, porque chegou o último capítulo do livro, o último capítulo de uma história que nos toca fundo... aquela que queríamos que nunca chegasse ao fim. Se todos têm sua hora, e a única certeza que temos é que a nossa vai chegar e vamos partir desse mundo, vamos aproveitar mais nossa estada aqui. Vamos curtir, vamos amar, vamos dizer às pessoas que as amamos, que gostamos, que adoramos... o que sentimos por elas. Vamos respeitar, acarinhar, amar. Vamos viver enquanto a hora não vem. Assim, quando ela vier, poderemos partir com a sensaçao de dever cumprido.

Life is too short, so let's enjoy it together.
* "Till Death Do Us Part" é uma música da Madonna, do álbum Like a Prayer (1989).

3 comentários:

Anônimo disse...

Bom, eu devo confessar que sou necrofobico. E que assuntos relacionados a morte me incomodam, apesar de eu brincar com eles as vezes.
Mas vc tem razão, vamos viver a vida enquanto ha tempo.

Anônimo disse...

eu não sei... às vezes eu temo a morte mais que tudo no mundo.. outras vezes a encaro como simples passagem.
acho que o mais triste da morte é a ausência de quem está indo... por mais que eu teime em pensar que é uma extensão da vida de outra forma, a pessoa que se foi vai deixar de conviver comigo, de compartilhar as experiencias, por mínimas que sejam... é o que me deixa triste.
abraço

Anônimo disse...

Ei, Bruno. Jà te linquei no meu blog também. Sobre a morte... Bom, eu não tenho muito medo, não. Já perdi alguns entes queridos, pessoas que realmente faziam a diferença. Enfim... Hoje, eu vejo que a morte serve para lembrar-nos de que tudo é muito transitório e que viemos nesse mundo para sermos felizes. Mas para isso, a gente tem que ser meio desapegado, né? A gente perde tempo com umas bobagens...