"words are useless
specially sentences
they don't stand for anything
how can they explain how I feel?"*
Madrugada. Fim do carnaval.
Depois de horas de msn com amigos queridos, trocando histórias e conversas, me pego relendo cartas antigas. 1, 2, 3, 5, 10 anos atrás. A primeira sensação, quase imediata em alguns casos, é: quem eu era!?!?!?! Como ri em algumas delas, como chorei de rir em algumas outras. Como sorri de pena de mim mesmo e de quem eu era (e graças a Deus, ERA). Um bom exercício para rever sua vida. Quem era, quem sou, quem serei.
Sempre fui muito sentimental. Completamente atrelado e ligado a sentimentos e a pessoas. Cartas eram (e ainda são, quando me disponho) o meu fraco. Escrevendo, somem todas as máscaras, somem as fantasias. Sou eu, e mais ninguém. Nu. Cru. Me, myself and I.
Pois bem... quando me dispus à tarefa de reler antigos relatos de tempos passados, antecipei o que iria encontrar. O que assusta é o pequeno alcance da memória... por mais que soubesse o que havia ali, não sabia que iria encontrar tanto. Contudo, uma constante se fez presente dentre meus remententes: ex-amigos.
Por ex-amigos, leia-se todo tipo de gente: colegas de escola com quem perdi contato, pessoas que optei por perder contato, pessoas que optaram por perder contato comigo, amigos queridos que deixaram de sê-lo, amigos que tomaram um rumo diferente do meu... vidas que se separaram.
Porém caros (inexistentes e amados) leitores, o que ressalto aqui é o que compõe cada uma das cartas que reli: PALAVRAS. "palavras apenas, palavras pequenas, palavras...". Sim, palavras. E o que me assustou é perceber que palavras são inúteis, são desnecessárias. Já cantarolava sabiamente o vocailsta do Depeche Mode ao dizer "palavras são muito desnecessárias, só machucam".
specially sentences
they don't stand for anything
how can they explain how I feel?"*
Madrugada. Fim do carnaval.
Depois de horas de msn com amigos queridos, trocando histórias e conversas, me pego relendo cartas antigas. 1, 2, 3, 5, 10 anos atrás. A primeira sensação, quase imediata em alguns casos, é: quem eu era!?!?!?! Como ri em algumas delas, como chorei de rir em algumas outras. Como sorri de pena de mim mesmo e de quem eu era (e graças a Deus, ERA). Um bom exercício para rever sua vida. Quem era, quem sou, quem serei.
Sempre fui muito sentimental. Completamente atrelado e ligado a sentimentos e a pessoas. Cartas eram (e ainda são, quando me disponho) o meu fraco. Escrevendo, somem todas as máscaras, somem as fantasias. Sou eu, e mais ninguém. Nu. Cru. Me, myself and I.
Pois bem... quando me dispus à tarefa de reler antigos relatos de tempos passados, antecipei o que iria encontrar. O que assusta é o pequeno alcance da memória... por mais que soubesse o que havia ali, não sabia que iria encontrar tanto. Contudo, uma constante se fez presente dentre meus remententes: ex-amigos.
Por ex-amigos, leia-se todo tipo de gente: colegas de escola com quem perdi contato, pessoas que optei por perder contato, pessoas que optaram por perder contato comigo, amigos queridos que deixaram de sê-lo, amigos que tomaram um rumo diferente do meu... vidas que se separaram.
Porém caros (inexistentes e amados) leitores, o que ressalto aqui é o que compõe cada uma das cartas que reli: PALAVRAS. "palavras apenas, palavras pequenas, palavras...". Sim, palavras. E o que me assustou é perceber que palavras são inúteis, são desnecessárias. Já cantarolava sabiamente o vocailsta do Depeche Mode ao dizer "palavras são muito desnecessárias, só machucam".
Vejo que alguns que já receberam cartas minhas têm uma interrrogação na testa. Outros tantos, me chamam de louco. Me faço entender: palavras sozinhas são inúteis. Inúteis, desnecessárias, sem sentido. Belas, porém burras. E então, você se pergunta: se sozinhas assim são, por quem serão acompanhadas? E eu lhes respondo: serão, meus caros, acompanhadas por atitudes.
Volto às cartas: relendo-as, encontrei belíssimas palavras. Entretanto, como fato consumado, burras. Burras, estúpidas, sem sentido. Por quê? Porque encalhadas. Como boas lésbicas que são, lhes faltava uma fêmea chamada atitude.
Ok, paro por aqui com o exagero prosaico para, mais uma vez, desenvolver meu louco raciocínio. O que quero dizer é: não adianta falar, e não fazer. Não adianta me chamar de grande amigo e atirar-me pedras às costas. É inútil bater-me palmas pelo soneto recitado, e dizer entre-dentes ao vizinho de assento: "pobre criatura".
O que me chamou a atenção dentre várias cartas, foram algumas com essa característica. Dizer eu te amo, não é amar. Dizer você é especial pra mim, não é suficiente. Dizer eu me importo, não é se importar. O óbvio, por vezes, é obscurecido pelo real. E é na névoa que morrem as palavras... inúteis... sem sentido. Inútil é, caros senhores. Eu digo aos meus amigos que os amo, e minhas atitudes para com eles são de pessoa que AMA. De que adianta dizer que os amo e agir como feitor???
Volto às cartas: relendo-as, encontrei belíssimas palavras. Entretanto, como fato consumado, burras. Burras, estúpidas, sem sentido. Por quê? Porque encalhadas. Como boas lésbicas que são, lhes faltava uma fêmea chamada atitude.
Ok, paro por aqui com o exagero prosaico para, mais uma vez, desenvolver meu louco raciocínio. O que quero dizer é: não adianta falar, e não fazer. Não adianta me chamar de grande amigo e atirar-me pedras às costas. É inútil bater-me palmas pelo soneto recitado, e dizer entre-dentes ao vizinho de assento: "pobre criatura".
O que me chamou a atenção dentre várias cartas, foram algumas com essa característica. Dizer eu te amo, não é amar. Dizer você é especial pra mim, não é suficiente. Dizer eu me importo, não é se importar. O óbvio, por vezes, é obscurecido pelo real. E é na névoa que morrem as palavras... inúteis... sem sentido. Inútil é, caros senhores. Eu digo aos meus amigos que os amo, e minhas atitudes para com eles são de pessoa que AMA. De que adianta dizer que os amo e agir como feitor???
Mas... (e sempre há vários 'mas') As cartas de amigos verdadeiros, que ainda permanecem no meu seleto rol, também continham palavras. Belas palavras... porém, palavras inteligentes, bem utilizadas. Por quê? Eu lhes digo: porque não importa a frequência com que fossem usadas, vinham acompanhadas de atitudes que as validavam. Palavras são como preceitos constitucionais: se não regulados por lei complementar, inexistem. São nulas. E as palavras necessitam da validação que as atitudes lhes dão.
O que falta às pessoas hoje em dia é atitude, no sentido mais cru possível. As pessoas acham que basta dizem o que "sentem". Chega-se ao ponto absurdo de querer que palavras anulem atitudes. Novamente, nos vem a burrice da palavra só: a prova testemunhal nada vale, se a prova material demonstra cabalmente o contrário.
Falar é fácil. "Olha, eu sou seu amigo, vc é muito importante pra mim, você é especial, te adoro". Facil, não?? Difícil é corresponder a isso com atitudes verdadeiras. A deturpação constante que se tem é: "Olha, eu sou seu amigo, vc é muito importante pra mim, você é especial, te adoro. Me desculpa por ter falado mal de você para os outros, beijado sua namorada, pisado na grama que você acabou de plantar. Mas isso não é nada, porque na verdade, eu adoro você".
Tenho um amigo que é o oposto, e admiro-o imensamente por isso (e ele sabe - assim eu o disse). Ao invés de usar palavras, ao invés de dizer e repetir seus sentimentos, ele os demonstra com atitudes. Se ele ama, age como alguém que ama; se gosta, age como tal. E crê ser desnecessário falar. Entende que a atitude, diferente da palavra, sobrevive e persiste solitária (em muitos casos, ainda melhor do que acompanhada por palavras).
Notem, senhores, que não defendo o não-uso da palavra. Pelo contrário, o que proponho é o uso racional, o fim do uso burro: diga às pessoas o que sente por elas, sente e converse, explique, conte. Viva. A vida é curta, e merece ser aproveitada ao máximo. Porém, entenda que falar e não agir, é a mesma coisa que não falar. Diga às pessoas que as ama, mas aja como tal. Dizer por dizer, para agaradar, fique calado.
Relacionamentos se constroem com atitudes, não apenas com meras palavras.
* trecho de Bedtime Story, da Madonna.
Um comentário:
A palavra, como "tudo que é sólido, se desmancha no ar". Não, não é inconoclastia Marxista. É só que o velho filósofo parece ter razão mais uma vez. A vida, se faz com atitudes. O mundo, é alavancado por elas. E tudo mais, seja lá o que for, será passado neste momento que já não é mais...
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